Utilização das folhas de comigo-ninguém-pode (Dieffenbachia seguine) como bioadsorvente para a remoção de íons metálicos

Francivaldo de Sousa, José Sérgio de Sousa, Afranio Gabriel da Silva, Diego Isaias Dias Marques, Max Rocha Quirino, Guilherme Leocárdio Lucena

Resumo


A presença de metais pesados pode tornar-se motivo de preocupação em função da possibilidade de movimentação e consequente contaminação de camadas superficiais do solo e águas subterrâneas, comprometendo a saúde de plantas e animais. Dentre os métodos de descontaminação, a bioadsorção tem apresentando bons resultados econômicos e ecológicos. Neste trabalho, folhas da planta comigo-ninguém-pode (CNP) foram utilizadas na remoção de íons Cu2+ de soluções aquosas. Realizou-se a desidratação das folhas da planta em estufa, até massa constante, em seguida procedeu as etapas de pulverização e peneiramento.  Os ensaios de adsorção foram realizados em batelada, sendo composto por 0.5 g das folhas desidratas com 100 mL de soluções aquosas de CuSO4 com diferentes concentrações. Uma avaliação do teor de íons oxalatos presentes nas folhas foi realizada pela técnica de permanganimetria. A caracterização e quantificação foi realizada pelas técnicas de difração de raios-X e espectroscopia de absorção atômica. Os resultados dos ensaios de adsorção mostraram que as folhas de CNP apresentaram 93% de remoção de Cu2+ quando testados em uma solução cuja concentração do metal foi de 600 mg L-1. Os difratogramas de raios-X confirmaram que o metal adsorvido incorporou na estrutura das folhas. O estudo cinético mostrou que a adsorção de Cu2+ pelas folhas de CNP obedecem ao modelo matemático de pseudossegunda ordem. O bioadsorvente testado neste trabalho apresentou elevada eficiência na descontaminação de efluentes contendo íons Cu2+. A utilização do processo utilizado propõe um mecanismo de descontaminação eficiente, de baixo custo e elevado valor ecológico, além de promover uma funcionalidade a uma espécie de planta tóxica.

Palavras chave: Bioadsorção, oxalatos, cinética.


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DOI: http://dx.doi.org/10.29215/pecen.v5i0.1647

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